Sob a coordenação do diretor Joel Zito Araújo ocorreu hoje no Plenário Antônio Casaccia do Centro de Eventos do Serrano Resort um encontro de cineastas, alguns já reconhecidos mundialmente por sua trajetória cinematográfica como é o caso de Paulo Sérgio Almeida, Aluizio Abranches, Andrés Sturm, Betse de Paula e Caco Souza; e os iniciantes, mas não menos qualificados Pedro Monteiro e Carlos Vinicius. No intercâmbio de ideias entre os participantes e o público, surgiu como tema de debate o futuro do suporte cinematográfico e como é a percepção e a utilização das novas tecnologias digitais na hora de concretizar suas obras.
Andrés Sturm, diretor e também dono da distribuidora independente Pandora Filmes, foi o primeiro a defender o formato digital e decretar a morte do negativo no futuro. Entre vários motivos, ele afirma que “uma cópia de filme é lixo ambiental”, já que não é possível realizar nada com esse material logo após a sua exibição nos cinemas. Paulo Sérgio Almeida também acredita que o futuro é digital e diz que gostaria de ser parte de esta nova geração de cineastas para poder conhecer e utilizar as infinitas possibilidades técnicas que permite o formato digital.
Já Aluízio Abranches afirma que filmou seus três longa-metragens em película, pois acredita que “cada decisão de formato é uma escolha estética. Para mim, até agora, a estética do filme depende da película, do tamanho do grão de película e da câmera”. Admite que teve que exibir o seu último filme em formato digital num festival e quase chorou ao ver o resultado na tela grande. “Acho que fiquei atrasado”, suspira o diretor de Do começo ao fim. Similar é o caso de Betse de Paula que gostaria de utilizar os formatos digitais pela economia na realização dos filmes, pois o processo de captação de recursos leva anos e finalmente, a obra final é “arremessada” numa sala de cinema.
Para Carlos Vinícius a película é um objeto estranho, já que nunca filmaram em outro formato que não fosse digital. Pertencente a um grupo carioca com o desejo de fazer filmes, ele admite que prefere fazer vários filmes em digital já que não domina as gestões para captar recursos econômicos como para conseguir os subsídios da lei do audiovisual mas não por isso vai deixar de trabalhar nos projetos que deseja.
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